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Coluna Cervical

Dor no Pescoço e Hérnia Cervical: Quando É Hora de Se Preocupar?

Entenda o que causa a dor cervical, como identificar sinais de alerta e conheça as opções de tratamento disponíveis — do repouso à cirurgia.

27 de abril de 2026 8 min de leitura Dr. Felipe Barreto

A dor no pescoço é uma das queixas mais comuns nos consultórios. Na maioria das vezes, ela melhora com medidas simples. Mas em alguns casos, a dor cervical pode ser o primeiro sinal de algo mais sério — como uma hérnia de disco comprimindo nervos ou até a medula espinhal. Neste artigo, vou explicar de forma clara as principais causas de dor cervical, como reconhecer sinais de alerta e quais são as opções de tratamento, incluindo quando a cirurgia se torna necessária.

Cervicalgia: Por Que o Pescoço Dói?

Cervicalgia é o nome médico para dor na região do pescoço. Ela pode ter origem muscular, articular ou nervosa, e afeta pessoas de todas as idades — embora seja cada vez mais frequente em quem passa longas horas no celular ou no computador.

As causas mais comuns incluem tensão muscular por má postura, estresse emocional, artrose das articulações facetárias (o desgaste natural das "juntas" da coluna) e, em casos mais avançados, a hérnia de disco cervical.

Na grande maioria dos casos, a cervicalgia é benigna e melhora em dias ou semanas com medidas conservadoras como analgésicos, anti-inflamatórios e correção postural. Porém, quando a dor é intensa, persistente ou acompanhada de outros sintomas, é fundamental investigar a causa.

Hérnia de Disco Cervical: O Que Acontece na Sua Coluna

Entre cada vértebra da coluna cervical existe um disco — uma estrutura flexível que funciona como amortecedor. Com o tempo, esforços repetitivos ou predisposição genética, esse disco pode se desgastar e se deslocar, formando o que chamamos de hérnia de disco.

Quando a hérnia comprime uma raiz nervosa (os "fios" que saem da medula e vão para os braços), o paciente pode sentir:

Esses sintomas costumam piorar com certos movimentos do pescoço e podem ser confundidos com problemas no ombro ou síndrome do túnel do carpo. Por isso, o diagnóstico correto — com exame clínico e ressonância magnética — é essencial.

Você sabia?

A coluna cervical é formada por 7 vértebras (C1 a C7). As hérnias mais comuns ocorrem nos níveis C5-C6 e C6-C7, que são os segmentos de maior mobilidade. Por isso, a dor e o formigamento costumam afetar o braço, o antebraço e os dedos da mão.

Sinal de Alerta: Mielopatia Cervical Compressiva

Existe uma situação que exige atenção redobrada. Quando a hérnia de disco — ou o estreitamento do canal por artrose — comprime não apenas um nervo, mas a própria medula espinhal, estamos diante da mielopatia cervical compressiva. Essa é uma condição séria que pode causar danos permanentes se não tratada a tempo.

Sinais de alerta — procure um especialista com urgência

Fique atento a estes sintomas, pois podem indicar compressão da medula cervical:

A mielopatia cervical é progressiva: quanto mais tempo a medula fica comprimida, maior o risco de sequelas. Em muitos casos, o tratamento cirúrgico é a única forma de descomprimir a medula e evitar que o quadro piore.

Tratamentos Conservadores: Quando a Cirurgia Não É Necessária

A boa notícia é que a maioria dos casos de cervicalgia e hérnia cervical melhora sem cirurgia. O tratamento conservador é sempre a primeira opção e inclui:

Quando o paciente responde bem ao tratamento conservador em 6 a 12 semanas, a tendência é de melhora progressiva. A cirurgia passa a ser considerada quando os sintomas persistem, pioram ou quando há sinais de mielopatia.

Quando a Cirurgia É Necessária: Conheça as Opções

A decisão cirúrgica depende de vários fatores: intensidade dos sintomas, grau de compressão na ressonância, presença de fraqueza muscular e, principalmente, se há sinais de mielopatia.

Discectomia + Artrodese

Remoção do disco herniado pelo pescoço (via anterior) e fusão das vértebras com um cage (dispositivo intersomático). Técnica mais utilizada no mundo.

Artroplastia Cervical

Substituição do disco danificado por uma prótese móvel, preservando o movimento do pescoço. Indicada em casos selecionados.

Laminoplastia

Ampliação do canal vertebral por trás, sem fusão. Usada quando há compressão da medula em múltiplos níveis.

Discectomia com Artrodese Cervical (ACDF)

É a cirurgia mais realizada para hérnia cervical. Por uma pequena incisão na frente do pescoço, o cirurgião remove o disco lesionado, descomprime o nervo e insere um dispositivo (cage) entre as vértebras para promover a fusão. A recuperação costuma ser rápida, com alta hospitalar em 24 a 48 horas na maioria dos casos.

Artroplastia Cervical (Disco Artificial)

A artroplastia é uma alternativa mais moderna à artrodese em casos selecionados. Em vez de fundir as vértebras, o disco danificado é substituído por uma prótese que preserva o movimento natural do segmento. A vantagem teórica é reduzir o risco de desgaste nos níveis vizinhos a longo prazo. Nem todos os pacientes são candidatos — a indicação depende da idade, número de níveis acometidos e qualidade óssea.

Laminoplastia e Descompressão Posterior

Quando há compressão da medula em vários níveis da coluna cervical, a abordagem pode ser feita por trás. A laminoplastia consiste em abrir a parte posterior do canal vertebral como uma porta, ampliando o espaço para a medula sem precisar fundir a coluna. É uma técnica especialmente útil para mielopatia cervical em múltiplos níveis.

Qual cirurgia é a melhor?

Não existe uma resposta única. A escolha da técnica depende do tipo e localização da compressão, do número de níveis acometidos, da presença de instabilidade e do perfil de cada paciente. Por isso, a avaliação individualizada com um neurocirurgião de coluna é fundamental.

Conclusão

A dor cervical é extremamente comum e, na maioria das vezes, tem solução simples. Porém, quando acompanhada de formigamento, fraqueza nos braços ou dificuldade para caminhar, merece investigação imediata. A hérnia cervical pode ser tratada de forma conservadora na maioria dos casos, mas é essencial reconhecer os sinais de mielopatia — uma condição em que a cirurgia pode ser a única forma de prevenir sequelas permanentes.

Se você sente dor no pescoço que não melhora ou está acompanhada de outros sintomas, não espere. Procure um especialista para uma avaliação adequada.

Dr. Felipe Barreto

Neurocirurgião especializado em cirurgia minimamente invasiva da coluna. Atendimento em São Paulo.

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