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Tratamento da Dor

Bloqueio da Articulação Sacroilíaca: Como Funciona, Indicações e Recuperação

Quando o tratamento conservador da sacroileíte não basta, a infiltração guiada por imagem pode trazer alívio duradouro — e ainda ajudar no diagnóstico.

13 de junho de 2026 8 min de leitura Dr. Felipe Barreto

Muitos pacientes com dor lombar baixa e nos glúteos já tentaram anti-inflamatórios, fisioterapia e repouso sem alívio satisfatório. Quando a origem dessa dor é a articulação sacroilíaca, existe um procedimento minimamente invasivo capaz de interromper o ciclo de dor e, ao mesmo tempo, confirmar o diagnóstico: o bloqueio (ou infiltração) sacroilíaco. Como neurocirurgião de coluna, realizo esse procedimento com frequência em pacientes que não respondem ao tratamento conservador.

O que é o bloqueio sacroilíaco

O bloqueio sacroilíaco é a aplicação, diretamente dentro ou ao redor da articulação sacroilíaca, de um anestésico local associado a um corticoide. O anestésico interrompe imediatamente a transmissão da dor, enquanto o corticoide reduz a inflamação ao longo dos dias seguintes, prolongando o alívio.

O procedimento é guiado por imagem — geralmente fluoroscopia (raio-X em tempo real) ou ultrassonografia — para garantir que a medicação atinja exatamente o alvo. Essa precisão é o que diferencia o bloqueio de uma simples injeção "às cegas".

Duplo papel: diagnóstico e tratamento

O bloqueio é, ao mesmo tempo, terapêutico (alivia a dor) e diagnóstico. Se a dor desaparece logo após a infiltração, isso confirma que a articulação sacroilíaca era, de fato, a fonte do problema — algo difícil de provar apenas com exames de imagem.

Quando o bloqueio é indicado

A infiltração é considerada quando há diagnóstico (ou forte suspeita) de sacroileíte e quando medidas mais simples não foram suficientes. As principais situações são:

Falha do conservador

Dor persistente apesar de anti-inflamatórios e fisioterapia

Confirmação diagnóstica

Dúvida sobre a real origem da dor lombar baixa

Crise de dor intensa

Necessidade de alívio rápido para retomar a reabilitação

Como é feito o procedimento, passo a passo

O bloqueio sacroilíaco é ambulatorial: o paciente chega e vai embora no mesmo dia, sem internação. De forma geral, segue estas etapas:

  1. O paciente é posicionado de bruços (decúbito ventral) na mesa de procedimento.
  2. A pele é higienizada e recebe anestesia local no ponto de entrada.
  3. Com auxílio da fluoroscopia ou ultrassom, a agulha é guiada com precisão até a articulação sacroilíaca.
  4. Um contraste pode ser injetado para confirmar o posicionamento correto.
  5. A mistura de anestésico e corticoide é aplicada.
  6. O paciente permanece em observação por um curto período e recebe alta com orientações.

Todo o procedimento costuma durar entre 15 e 30 minutos.

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Recuperação e resultados

A recuperação é rápida. Nas primeiras horas, o anestésico já reduz a dor; é comum sentir a região levemente dormente. O efeito pleno do corticoide costuma aparecer entre o segundo e o quinto dia.

Orientações habituais após o bloqueio:

O alívio pode durar de semanas a vários meses. Em muitos pacientes, um único bloqueio combinado a um bom programa de reabilitação já resolve o quadro. Quando a dor retorna, o procedimento pode ser repetido ou complementado por outras técnicas.

Atenção

Como todo procedimento, o bloqueio tem riscos — geralmente baixos — como dor temporária no local, sangramento leve e, raramente, infecção. Pacientes diabéticos podem ter elevação transitória da glicemia pelo corticoide. A indicação deve sempre ser individualizada por um médico especialista.

E quando o bloqueio não é suficiente?

Se a dor responde ao bloqueio, mas retorna repetidamente, isso indica que a articulação é mesmo a culpada — e abre caminho para tratamentos de efeito mais prolongado, como a denervação por radiofrequência, que "desliga" os nervos responsáveis pela dor da articulação. A fusão cirúrgica da sacroilíaca fica reservada a casos muito selecionados e incapacitantes.

Conclusão

O bloqueio da articulação sacroilíaca é uma ferramenta valiosa no tratamento da sacroileíte: alivia a dor, confirma o diagnóstico e cria a janela ideal para a reabilitação. É minimamente invasivo, ambulatorial e seguro quando bem indicado. Se você convive com dor lombar baixa ou nos glúteos que não melhora, vale procurar avaliação especializada — quanto antes a causa correta for identificada, mais rápido você volta às suas atividades sem dor.

Dr. Felipe Barreto

Neurocirurgião especializado em cirurgia minimamente invasiva da coluna e tratamento da dor. Atendimento em São Paulo — CREMESP 202.824.

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