Muitos pacientes com dor lombar baixa e nos glúteos já tentaram anti-inflamatórios, fisioterapia e repouso sem alívio satisfatório. Quando a origem dessa dor é a articulação sacroilíaca, existe um procedimento minimamente invasivo capaz de interromper o ciclo de dor e, ao mesmo tempo, confirmar o diagnóstico: o bloqueio (ou infiltração) sacroilíaco. Como neurocirurgião de coluna, realizo esse procedimento com frequência em pacientes que não respondem ao tratamento conservador.
O que é o bloqueio sacroilíaco
O bloqueio sacroilíaco é a aplicação, diretamente dentro ou ao redor da articulação sacroilíaca, de um anestésico local associado a um corticoide. O anestésico interrompe imediatamente a transmissão da dor, enquanto o corticoide reduz a inflamação ao longo dos dias seguintes, prolongando o alívio.
O procedimento é guiado por imagem — geralmente fluoroscopia (raio-X em tempo real) ou ultrassonografia — para garantir que a medicação atinja exatamente o alvo. Essa precisão é o que diferencia o bloqueio de uma simples injeção "às cegas".
Duplo papel: diagnóstico e tratamento
O bloqueio é, ao mesmo tempo, terapêutico (alivia a dor) e diagnóstico. Se a dor desaparece logo após a infiltração, isso confirma que a articulação sacroilíaca era, de fato, a fonte do problema — algo difícil de provar apenas com exames de imagem.
Quando o bloqueio é indicado
A infiltração é considerada quando há diagnóstico (ou forte suspeita) de sacroileíte e quando medidas mais simples não foram suficientes. As principais situações são:
Falha do conservador
Dor persistente apesar de anti-inflamatórios e fisioterapia
Confirmação diagnóstica
Dúvida sobre a real origem da dor lombar baixa
Crise de dor intensa
Necessidade de alívio rápido para retomar a reabilitação
Como é feito o procedimento, passo a passo
O bloqueio sacroilíaco é ambulatorial: o paciente chega e vai embora no mesmo dia, sem internação. De forma geral, segue estas etapas:
- O paciente é posicionado de bruços (decúbito ventral) na mesa de procedimento.
- A pele é higienizada e recebe anestesia local no ponto de entrada.
- Com auxílio da fluoroscopia ou ultrassom, a agulha é guiada com precisão até a articulação sacroilíaca.
- Um contraste pode ser injetado para confirmar o posicionamento correto.
- A mistura de anestésico e corticoide é aplicada.
- O paciente permanece em observação por um curto período e recebe alta com orientações.
Todo o procedimento costuma durar entre 15 e 30 minutos.
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Falar pelo WhatsAppRecuperação e resultados
A recuperação é rápida. Nas primeiras horas, o anestésico já reduz a dor; é comum sentir a região levemente dormente. O efeito pleno do corticoide costuma aparecer entre o segundo e o quinto dia.
Orientações habituais após o bloqueio:
- Evitar esforço físico intenso nas primeiras 24 a 48 horas.
- Aplicar gelo no local em caso de leve desconforto.
- Retomar a fisioterapia assim que a dor permitir — o alívio é a janela ideal para fortalecer o core e estabilizar a pelve.
- Registrar a evolução da dor para avaliar a resposta na consulta de retorno.
O alívio pode durar de semanas a vários meses. Em muitos pacientes, um único bloqueio combinado a um bom programa de reabilitação já resolve o quadro. Quando a dor retorna, o procedimento pode ser repetido ou complementado por outras técnicas.
Atenção
Como todo procedimento, o bloqueio tem riscos — geralmente baixos — como dor temporária no local, sangramento leve e, raramente, infecção. Pacientes diabéticos podem ter elevação transitória da glicemia pelo corticoide. A indicação deve sempre ser individualizada por um médico especialista.
E quando o bloqueio não é suficiente?
Se a dor responde ao bloqueio, mas retorna repetidamente, isso indica que a articulação é mesmo a culpada — e abre caminho para tratamentos de efeito mais prolongado, como a denervação por radiofrequência, que "desliga" os nervos responsáveis pela dor da articulação. A fusão cirúrgica da sacroilíaca fica reservada a casos muito selecionados e incapacitantes.
Conclusão
O bloqueio da articulação sacroilíaca é uma ferramenta valiosa no tratamento da sacroileíte: alivia a dor, confirma o diagnóstico e cria a janela ideal para a reabilitação. É minimamente invasivo, ambulatorial e seguro quando bem indicado. Se você convive com dor lombar baixa ou nos glúteos que não melhora, vale procurar avaliação especializada — quanto antes a causa correta for identificada, mais rápido você volta às suas atividades sem dor.