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Coluna

Tumor na coluna: quais sinais merecem atenção e como é o tratamento hoje

A maior parte dos tumores da coluna são metástases de outros cânceres. Saiba reconhecer os sinais de alerta e entenda como cirurgia, radioterapia e oncologia trabalham juntas.

10 de outubro de 2026 4 min de leitura Dr. Felipe Barreto

Ouvir a expressão "tumor na coluna" é assustador. É importante começar com dois esclarecimentos. Primeiro: a imensa maioria das dores nas costas não tem relação com tumores. Segundo: quando existe um tumor na coluna, o tratamento evoluiu muito nas últimas duas décadas, com mais opções, menos agressividade e melhores resultados.

Tipos de tumor da coluna

Os tumores que acometem a coluna podem ser divididos em dois grandes grupos:

As metástases na coluna estão se tornando mais frequentes justamente porque os pacientes com câncer estão vivendo mais, graças a tratamentos oncológicos mais eficazes1.

Sinais de alerta

A dor é o primeiro sintoma na maioria dos pacientes. Algumas características diferenciam a dor de origem tumoral da dor mecânica comum:

Compressão da medula é urgência

Fraqueza nas pernas, dormência que sobe pelo corpo, dificuldade para andar ou alteração no controle da urina e das fezes em paciente com câncer podem indicar compressão da medula por metástase. É uma emergência: o tempo até o tratamento influencia diretamente a chance de preservar a capacidade de andar2.

Especialistas em oncologia recomendam alto grau de suspeita: em pacientes com câncer, uma dor nas costas nova ou que piora deve ser investigada antes que surjam déficits motores, sensitivos ou urinários2.

Diagnóstico

A ressonância magnética é o exame de escolha. Quando há suspeita de metástase, recomenda-se avaliar a coluna inteira, porque é comum haver lesões em mais de um nível2. Tomografia e exames de medicina nuclear, como o PET-CT, complementam a avaliação do osso e a procura de lesões em outros locais. Quando o tumor de origem não é conhecido, a biópsia guiada por imagem define o diagnóstico.

Como se decide o tratamento

O tratamento das metástases na coluna é multidisciplinar, envolvendo cirurgião de coluna, oncologista clínico, radio-oncologista e equipe de dor e reabilitação. Ferramentas de decisão consideram quatro pontos principais1,3:

Neurológico

Grau de compressão da medula

Oncológico

Sensibilidade do tumor à radioterapia

Mecânico e sistêmico

Estabilidade da coluna e estado geral

Radioterapia de alta precisão

A radioterapia estereotáxica corporal (SBRT), também chamada de radiocirurgia, entrega doses muito altas de radiação diretamente no tumor, com precisão milimétrica e proteção da medula. Ela proporciona controle local duradouro do tumor com baixas taxas de toxicidade grave, inclusive em tumores que antes eram considerados resistentes à radioterapia convencional3.

Cirurgia

A cirurgia tem papel decisivo quando há compressão da medula ou instabilidade da coluna. Um ensaio clínico randomizado publicado no Lancet comparou cirurgia de descompressão seguida de radioterapia com radioterapia isolada em pacientes com compressão medular por metástase. Após o tratamento, 84% dos pacientes operados conseguiam andar, contra 57% no grupo da radioterapia isolada, e eles mantiveram a capacidade de andar por mais tempo4.

Hoje, a cirurgia costuma ser menos extensa. A chamada cirurgia de separação retira apenas o tumor que comprime a medula e estabiliza a coluna, criando uma margem de segurança para que a radiocirurgia trate o restante1. Técnicas minimamente invasivas reduzem o tempo de recuperação e permitem retomar o tratamento oncológico mais cedo.

Procedimentos percutâneos

Para fraturas dolorosas causadas por metástases, a injeção de cimento ósseo na vértebra (vertebroplastia ou cifoplastia), às vezes associada à ablação do tumor, alivia a dor e estabiliza o osso por meio de pequenas punções1.

Cada caso é único

Diretrizes internacionais reforçam que a decisão deve considerar o tipo de tumor, a expectativa de vida, o estado geral e, principalmente, os objetivos do paciente2,5. Às vezes o melhor tratamento é o mais simples, e o foco é garantir controle da dor e qualidade de vida.

Conclusão

A maior parte das dores nas costas não tem relação com tumores. Mas dor que não melhora com repouso, piora à noite ou surge em quem tem histórico de câncer precisa de investigação. Diante de fraqueza nas pernas ou alterações urinárias, a avaliação deve ser imediata.

O tratamento atual combina cirurgia menos agressiva, radioterapia de alta precisão e procedimentos minimamente invasivos, sempre de forma integrada com a equipe de oncologia. Com diagnóstico precoce, é possível preservar a função neurológica e a qualidade de vida na maioria dos pacientes.

Referências

  1. Spratt DE, Beeler WH, de Moraes FY, Rhines LD, Gemmete JJ, Chaudhary N, et al. An integrated multidisciplinary algorithm for the management of spinal metastases: an International Spine Oncology Consortium report. Lancet Oncol. 2017;18(12):e720-e730. Nível 5 · D
    DOI: 10.1016/S1470-2045(17)30612-5
  2. Lawton AJ, Lee KA, Cheville AL, Ferrone ML, Rades D, Balboni TA, et al. Assessment and Management of Patients With Metastatic Spinal Cord Compression: A Multidisciplinary Review. J Clin Oncol. 2019;37(1):61-71. Nível 5 · D
    DOI: 10.1200/JCO.2018.78.1211
  3. Katsoulakis E, Kumar K, Laufer I, Yamada Y. Stereotactic Body Radiotherapy in the Treatment of Spinal Metastases. Semin Radiat Oncol. 2017;27(3):209-217. Nível 5 · D
    DOI: 10.1016/j.semradonc.2017.03.004
  4. Patchell RA, Tibbs PA, Regine WF, Payne R, Saris S, Kryscio RJ, et al. Direct decompressive surgical resection in the treatment of spinal cord compression caused by metastatic cancer: a randomised trial. Lancet. 2005;366(9486):643-8. Nível 1 · A
    DOI: 10.1016/S0140-6736(05)66954-1
  5. Bollen L, Dijkstra SPD, Bartels RHMA, de Graeff A, Poelma DLH, Brouwer T, et al. Clinical management of spinal metastases-The Dutch national guideline. Eur J Cancer. 2018;104:81-90. Nível 5 · D
    DOI: 10.1016/j.ejca.2018.08.028

Última revisão desta página: 10 de outubro de 2026. As referências foram verificadas quanto a DOI e ano de publicação na data da revisão.

Dr. Felipe Barreto

Neurocirurgião especializado em cirurgia minimamente invasiva da coluna. Atendimento em São Paulo.

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