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Coluna

Dor lombar em atletas: quando o esporte pesa na coluna

A dor lombar é comum em quem pratica esporte, de adolescentes a atletas profissionais. Veja as causas mais frequentes, a espondilólise e como voltar a treinar com segurança.

10 de outubro de 2026 4 min de leitura Dr. Felipe Barreto

O esporte faz bem para a coluna, mas também a submete a cargas intensas e repetidas. Por isso a dor lombar é uma queixa frequente entre atletas de todas as idades e níveis, do adolescente que treina ginástica ao tenista amador que joga três vezes por semana.

Entender as causas e saber quando a dor exige investigação é fundamental para tratar bem e voltar ao esporte com segurança.

Quão comum é

Uma revisão sistemática mostrou que a dor lombar é muito prevalente entre atletas, com taxas que variam conforme o esporte e a forma de medir1. Em adolescentes atletas, uma meta-análise com 80 estudos estimou que cerca de 42% relataram dor lombar no último ano. Entre os fatores de risco estão o próprio volume e a intensidade de treino, dor em membros inferiores, sobrepeso, idade mais avançada na adolescência, sexo feminino e história familiar de dor lombar2.

Esportes que mais sobrecarregam a lombar

Modalidades com extensão repetida da coluna (inclinar o tronco para trás), rotação e impacto concentram mais casos:

Espondilólise: a causa que não pode passar despercebida no adolescente

No atleta adolescente, a causa estrutural mais comum de dor lombar é a espondilólise: uma fratura por estresse em uma pequena região da vértebra chamada pars interarticularis, geralmente na quinta ou na quarta vértebra lombar2,3. Ela acontece por estresse mecânico repetitivo, principalmente em esportes com hiperextensão da coluna, como ginástica, saltos ornamentais, levantamento de peso e luta4.

Quando a fratura acontece dos dois lados, a vértebra pode escorregar sobre a de baixo, condição chamada de espondilolistese ístmica4.

Sinais que sugerem espondilólise

Dor lombar em adolescente atleta que piora ao inclinar o tronco para trás, especialmente em pé sobre uma perna só, que dura mais de duas a três semanas ou que atrapalha o rendimento. Nesses casos, vale investigar antes de simplesmente "dar um tempo" do treino.

Diagnóstico

O exame físico levanta a suspeita, e os exames de imagem confirmam. Radiografias, tomografia e ressonância têm papéis complementares4. A ressonância tem a vantagem de detectar a lesão em fase inicial, quando ainda há apenas edema no osso, antes de a fratura se completar, e sem radiação.

Tratamento

A maior parte dos casos é tratada sem cirurgia. Em uma série com mais de 200 adolescentes atletas com espondilólise sintomática, o tratamento conservador, com afastamento das atividades que provocam dor, reabilitação e retorno progressivo, permitiu a volta ao esporte na grande maioria dos pacientes3. A cirurgia fica reservada para quem mantém sintomas apesar do tratamento ou tem escorregamento progressivo4.

Outras causas de dor lombar no atleta

Muscular

Sobrecarga e distensões, a causa mais comum

Disco

Mais comum em adultos, pode irradiar para a perna

Óssea

Espondilólise, sobretudo em adolescentes

Em atletas adultos, a dor de origem muscular e ligamentar é a mais frequente, seguida pelas causas relacionadas ao disco e às articulações facetárias. A dor que irradia para a perna sugere comprometimento de raiz nervosa e merece avaliação.

Tratamento e retorno ao esporte

Uma meta-análise de ensaios clínicos sobre tratamento da dor lombar em atletas mostrou que exercícios, ajustes biomecânicos e terapia manual reduziram a dor e a incapacidade. Porém, ainda não está claro qual tratamento é o mais eficaz e para quem, e faltam dados sobre o tempo de retorno ao esporte5.

Na prática, os pilares são:

Procure avaliação se houver

Dor que dura mais de duas a três semanas, dor que acorda à noite, dor irradiada para a perna, formigamento ou fraqueza, ou dor lombar persistente em adolescente atleta.

Conclusão

A dor lombar é comum no esporte, e na maioria das vezes tem causa muscular e boa evolução. No adolescente atleta, porém, a espondilólise precisa ser lembrada, porque o diagnóstico precoce melhora as chances de consolidação e de retorno pleno ao esporte.

Com diagnóstico correto, ajuste do treino e reabilitação dirigida, a grande maioria dos atletas volta a praticar sua modalidade com segurança.

Referências

  1. Farahbakhsh F, Rostami M, Noormohammadpour P, Mehraki Zade A, Hassanmirazaei B, Faghih Jouibari M, et al. Prevalence of low back pain among athletes: A systematic review. J Back Musculoskelet Rehabil. 2018;31(5):901-916. Nível 1 · A
    DOI: 10.3233/BMR-170941
  2. Wall J, Meehan WP 3rd, Trompeter K, Gissane C, Mockler D, van Dyk N, et al. Incidence, prevalence and risk factors for low back pain in adolescent athletes: a systematic review and meta-analysis. Br J Sports Med. 2022;56(22):1299-1306. Nível 2 · B
    DOI: 10.1136/bjsports-2021-104749
  3. Choi JH, Ochoa JK, Lubinus A, Timon S, Lee YP, Bhatia NN. Management of lumbar spondylolysis in the adolescent athlete: a review of over 200 cases. Spine J. 2022;22(10):1628-1633. Nível 5 · D
    DOI: 10.1016/j.spinee.2022.04.011
  4. Mohile NV, Kuczmarski AS, Lee D, Warburton C, Rakoczy K, Butler AJ. Spondylolysis and Isthmic Spondylolisthesis: A Guide to Diagnosis and Management. J Am Board Fam Med. 2022;35(6):1204-1216. Nível 5 · D
    DOI: 10.3122/jabfm.2022.220130R1
  5. Thornton JS, Caneiro JP, Hartvigsen J, Ardern CL, Vinther A, Wilkie K, et al. Treating low back pain in athletes: a systematic review with meta-analysis. Br J Sports Med. 2021;55(12):656-662. Nível 1 · A
    DOI: 10.1136/bjsports-2020-102723

Última revisão desta página: 10 de outubro de 2026. As referências foram verificadas quanto a DOI e ano de publicação na data da revisão.

Dr. Felipe Barreto

Neurocirurgião especializado em cirurgia minimamente invasiva da coluna. Atendimento em São Paulo.

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